Filosofia

Estética: definição, conceito na filosofia e contemporaneidade

Estética é uma área da filosofia ligada ao entendimento das formas de arte, processo de produção artístico e a ideia do "pensamento estético".

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A estética é caracterizada como uma área da filosofia, especializada no estudo das formas de arte e em como ocorrem os processos de criação de obras artísticas. Além disso, é uma área que compreende as relações sociais envolvidas no meio da arte, além da ética e da política. Também é conhecida como Filosofia da Arte.

A origem do termo vem do grego aisthesis, que representa significados como “apreensão pelos sentidos” e “percepção”. Ou seja, um dos fundamentos dessa área filosófica é entender o mundo por meio da percepção, por meios dos cinco sentidos do corpo: visão, audição, tato, paladar e olfato.

Apesar de ter origem na Grécia Antiga, o cuidado estético e o que está relacionado à produção artística, já eram vistos, por exemplo, nas pinturas rupestres. Assim, mesmo que o conceito só veio a ser definido no século XVIII, os antepassados já demonstravam cuidado estético nas produções.

Surgimento do conceito de estética

As pinturas rupestres, por exemplo, já continham traços de cuidados estéticos. Não só na pré-história, mas em praticamente todos os períodos históricos, a avaliação estética sempre esteve presente. Porém, apenas em 1750 que o conceito propriamente dito foi utilizado pela primeira vez, pelo filósofo alemão Alexander Baumgarten.

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De acordo com Baumgarten, a estética estava ligada ao conhecimento sensível. Ou seja, para chegar ao entendimento completo da arte e da produção artística, era necessário utilizar a sensibilidade. Nesse sentido, alinhada a características da lógica, ou seja, ao racional, a estética poderia ser entendida por meio do sensível.

Arte rupestre

Para que a estética chegasse à compreensão dos estudos das formas de arte, bem como do processo de produção artístico foi preciso distinguir a área da metafísica e da ética. A distinção ocorreu justamente com Alexander Gottlieb Baumgarten, no livro Aesthetica. O livro foi publicado entre 1750 e 1758.

Nesse sentido, o entendimento da arte e, até mesmo a produção artística em si, representa o ato de expressão, ao que se assemelha à realidade. No caso, a realidade recebe o significo da apresentação do “eu”, dessa forma, de quem produz a arte. À esse conjunto de detalhes damos o nome de mimesis da realidade.

O belo na Grécia Antiga

A estética, como vimos até aqui, representa o estudo das formas de arte e os processos de produção artística. Na Grécia Antiga, antes do termo propriamente ser definido, a questão do belo, do valor estético já era algo debatido. Assim, com o desenvolvimento da filosofia antropológica – vamos chamar assim – os filósofos buscavam compreender o motivo que levavam as ações humanas a buscarem pelo estético.

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A preocupação com a beleza, atrelada à produção, já podia ser percebida nos desenhos rupestres, por exemplo. Para os filósofos, especificamente Platão, chegou à conclusão que o “belo em si” era uma concepção presente no que ele chamava de “mundo das ideias”. A partir disso, Platão desenvolveu diversas obras, como O Banquete, que tratam do belo como uma meta a ser alcançada.

Platão e Aristóteles tinham pensamentos diferentes sobre o conceito de estética

Nesse sentido, todo tipo de produção busca, de alguma forma, alcançar a ideia da beleza. A partir desse conceito, Platão criticava a poesia e o teatro grego, por achar que esse tipo de arte não era útil. Para ele, o belo estaria ligado à sua utilidade. Ou seja, as manifestações artísticas não podiam gerar confusão ou dúvida.

Por outro lado, Aristóteles compreendia a arte como o cominho técnico que levava à produção. No entanto, o filósofo definiu três dimensões para considerar algo como arte. Ou seja, a arte deveria possuir práxis (ação), além de poiesis (criação) e techné (regras de produção). Então, arte – para Aristóteles – era tudo aquilo pensado no intuito de produzir algo novo.

Estética na filosofia

A ideia de estética, na idade média, estava atrelada as demais áreas da filosofia, como a lógica e a ética. Porém, a partir dos estudos platônicos, o filósofo percebeu que o alcance do belo estava ligado a coisas boas. Por conta disso, foi necessário separar a estética da lógica e da ética, por exemplo. Nesse momento surgiu a filosofia do belo.

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Antes mesmo do filósofo alemão, Alexander Gottlieb Baumgarten, publicar o livro Aesthetica, o conceito de estética era um pouco diferente do que se tem hoje. A princípio, o termo se referia à sensibilidade, também chamada de estesiologia. Após os estudos de Baumgarten é que a estética passou a ser compreendida como o saber sensorial.

No período do Renascimento, a estética retorna ao conceito que Platão havia desenvolvido. Ou seja, o belo, na verdade, estava ligado ao estado de espírito. Assim, só poderia ser alcançado quando uma pessoa se identificasse com coisas boas. O termo estética só se tornou algo realmente pensado e estudado com profundidade no século XVIII, na Inglaterra.

Appelles pintando Campaspe (1630) de Willem van Haecht

Isso porque, os filósofos ingleses distinguiram o conceito estético da beleza relativa e a imediata. Além disso, demonstraram a diferença entre o sublime e o belo. Em 1790, o filósofo Immanuel Kant, definiu o belo como algo que possuía “finalidade sem fim”.

Dentre os maiores filósofos da história, como Sócrates, Platão e Aristóteles, o conceito de estética não era a mesma coisa. A começar por Sócrates, que não chegou a definir exatamente o que era a estética. Para o filósofo, o conceito de belo era algo que julgava incapaz de refletir.

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Platão

Para Platão, o conceito de belo estava ligado àquilo que era perfeito, absoluto e eterno. Sendo assim, o belo não precisava de nenhuma afirmação material, como a arte, por exemplo. Por ser absoluta, a simples contemplação já bastava. Caso a poesia ou o teatro tentassem representar o belo, essa representação seria, para o filósofo, a imitação do que é perfeito.

Estética, o que é? Definição, características na filosofia e conceito de belo
Platão acreditava que o belo era era perfeito, absoluto e eterno

Nesse sentido, a opinião humana sobre o belo era impossível aos olhos de Platão. Isso porque, a única ação possível seria a passividade. Além disso, para o filósofo, o amor, o belo, e o saber estavam intimamente conectados e impossíveis de serem separados.

Aristóteles

Para Aristóteles, o belo não era algo passível de perfeição. Nem era, na visão do filósofo, algo abstrato. Apesar de ter tido Platão como mestre, os pensamentos dos dois filósofos eram diferentes em vários aspectos. Assim, Aristóteles acreditava que a estética, o belo em si, era como a natureza humana. Ou seja, as vivências podiam sim fazer do conceito de belo algo melhor e evoluído.

Conceito na contemporaneidade

O conceito de estética passou por modificações até chegar ao que é hoje. Filósofos gregos definiriam o conceito, mesmo com divergências, e além de Baumgarten que separou o termo de outras áreas da filosofia. Atualmente, assim como ocorria no passado, os estudiosos tentam entender a origem da busca pelo “pensamento estético”.

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Estética, o que é? Definição, características na filosofia e conceito de belo
Ariano Suassuna

A estética, então, é formada pela arte e pela filosofia. Hoje em dia é comum, por exemplo, que artistas utilizem a prática artística unida à teoria filosófica na produção do conhecimento. Um dos exemplos mais recorrentes é o dramaturgo Ariano Suassuna. Além de dramaturgo, Suassuna também foi poeta e teórico da estética.

Obras fundamentais para entender o conceito:

  • Hípias Maior – Platão;
  • O Banquete – Platão;
  • Fedro – Platão;
  • Poética – Aristóteles;
  • Crítica da Faculdade do Juízo – Kant;
  • Cursos de Estética – Hegel

O que achou da matéria? Se gostou, leia também as características da Filosofia Medieval e quem foram os Sofistas.

Fontes: Info Escola, Toda Matéria e Abstracta

Imagens: Blog Marcelo Coruja, GGN, Artes Plásticas, Medium, Audaces e Estadão

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