Êxodo Urbano, o que é? História, conceitos e atualidade

Êxodo urbano é a migração para fora dos centros urbanos, que pode ser, muitas vezes, para áreas sub-rurais, praianas e rurais.

Para entender o fenômeno do êxodo urbano é preciso compreender primeiro os processos históricos em que ocorrem e suas causas. A palavra êxodo tem um significado relacionado a emigração populacional, ou saída de pessoas em massa de um determinado lugar.

Portanto, é menos comum o fenômeno de êxodo urbano e mais comum o de êxodo rural. Apesar de se falar atualmente dessa tendência, são menores as referências do fenômeno do êxodo urbano.

Portanto, o êxodo urbano, não é uma tendência tão linear como o êxodo rural em que a população de variados pontos do meio rural vai para as grandes cidades.

No caso da migração para fora dos centros urbanos, esta pode ser muitas vezes para áreas sub-rurais, caracterizadas por uma densidade demográfica mais baixa e com grande interação para o centro econômico mais próximo.

Porém, existem também migrações para o meio rural mais remoto onde, em geral, a presença da natureza é muito mais demarcada. Neste local, existe menor acessibilidade, oferta de trabalho, atividades lúdicas e culturais.

Êxodo urbano na história

No período colonial da Nigéria (XIX) na movimentação migratória das cidades para o campo, as cidades ou vilas eram abandonadas para a busca de novas terras aráveis, e nasciam novas vilas. Este acontecimento foi a base do desenvolvimento agrícola desse país.

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Outro acontecimento referente ao êxodo urbano aconteceu em Nova York entre 1920 a 1970. Assim, a partir da década de vinte a população desta cidade caiu 66% por conta da pandemia de gripe espanhola.

Já na época atual, a partida do meio urbano para o rural tem como base um descontentamento com os centros urbanos, principalmente em relação à falta de emprego, inflação, congestionamento, deterioração da qualidade do ar. Neste sentido, por causa desta falta de bem-estar os mais descontentes tendem a fugir para o meio rural.

Gentrificação

Este conceito foi aplicado pela socióloga britânica Ruth Glass (1912-1990). Portanto, em sua primeira significação, o termo refere-se à mudança de paisagens urbanas e a utilização dos espaços públicos mais degradados com novas infraestruturas, de forma a revitalizar o lugar.

Neste sentido, estas zonas urbanas atraem moradores de renda mais elevada, em São Paulo, por exemplo, isso ocorre nas zonas centrais da cidade.

No sentido do êxodo urbano, existe uma tendência das empresas, observando a grande demanda,  de revitalizar áreas menos populosas que oferecem mais qualidade de vida. Esta tendência acompanha também a oferta de preços mais baixos de moradias, principalmente em cidades do interior.

A propósito, na Europa, as pessoas com conhecimento e capacidade financeira para se deslocar para os campos são denominadas de neo-rural

Elas têm intenção de escapar do desemprego, praticar atividades sustentáveis que lhes forneçam a hipótese de viver pelo sustento da terra.

Características do meio rural 

Na Europa, o êxodo rural está relacionado não só à qualidade de vida, mas também a novas oportunidades de trabalho e ganho, utilizando o plantio e até o sustento por meio de ofertas turísticas, como serviços de hospedagem.

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As características que as pessoas procuram no meio rural são:

  • Melhoria de condições de vida.
  • Qualidade patrimonial e ambiental.
  • Sustentabilidade e participação democrática comunitária.

Contudo, na Europa o êxodo urbano é acompanhado do conceito de desenvolvimento rural. O desenvolvimento rural pode ser definido com o resultado de uma combinação de estímulos internos e externos. Assim ele pode ser dividido em desenvolvimento rural exógeno e endógeno:

  • Exógeno: Resultante de fatores externos, como política de modernização da agricultura, e reordenamento territorial.
  • Endógeno: Dependente dos aspectos locais, recursos naturais, recursos humanos e instituições locais.

O processo de êxodo urbano no Brasil

O processo de êxodo urbano no Brasil vem ocorrendo de forma gradativa e principalmente nos centros urbanos como São Paulo e Rio de Janeiro.

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Contudo, os fatores desses processos são muitos. No entanto, o fator mais frequente é a qualidade de vida. Assim, este fator se atrela a outros que tem um apelo parecido.

Por exemplo, alguns fatores do êxodo urbano são:

  • Busca de qualidade de vida;
  • Produção de seus próprios alimentos;
  • Busca de alimentos não industrializados;
  • Sustentabilidade relacionada ao ar e água;
  • Saúde mental maior em oposição ao stress do meio urbano.

Influência da pandemia

A pandemia causou além do isolamento social, a busca de novos lugares para a prática do isolamento. Entre as pessoas que possuem condições de já ter uma casa ou um sítio em lugares mais desabitados, aconteceu certo fluxo dos centros urbanos para essas localidades.

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A vontade desses novos lugares se deve a busca de mais espaço para as crianças, conforto e qualidade de vida.  Essa nova demanda se direciona para vários tipos de moradias: praia, campo, cidades pequenas etc.

Porém, essa demanda envolve apenas um segmento da sociedade com condições de realizar esta mudança, embora a busca se configure também na melhoria do preço dos imóveis. Portanto, esse tipo de êxodo atinge mais a classe média e alta.

Este fenômeno se comprova pelo alto número de demanda em procura de imóveis no interior e com menor concentração populacional. 

As questões de sobrevivência e a tecnologia

Existem outros fatores que também colaboram para o êxodo urbano. Portanto, como primeiro fator temos a situação de perda de renda. Assim, na situação pandêmica, muitas pessoas ficaram sem sua fonte de renda, por perderem o emprego, ou as condições de ganho que antes eram conseguidas por meio presencial.

Dessa forma, nestas novas condições, as pessoas foram obrigadas a voltar para lugares no interior para casas dos pais ou parentes e também a procura de aluguéis mais baixos.

Outro fator de deslocamento populacional nesses tempos é o fato do trabalho home-office possibilitar às pessoas trabalharem de qualquer lugar, e a opção mais vantajosa são as cidades com maior qualidade de vida e preços menores de produtos de consumo e moradia.

Além disso, muitas vezes, por questões de sobrevivência, também há uma movimentação de pessoas voltando para suas regiões ou cidades de origem – no interior – pelo fato de perderem sua fonte de renda durante a pandemia e se verem obrigadas a voltarem para perto de suas famílias.

Muitas vezes as condições de vida nas grandes cidades colocam essa parcela da população em situações de vulnerabilidade.

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Fontes: Info Escola, Hypeness, AECweb

Imagens: Pexels e Archdaily

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