História

Exploração do pau-brasil – Contexto histórico e principais consequências

A madeira foi a primeira riqueza que possibilitou a exploração do território brasileiro pelos portugueses, em um processo de dominação que durou mais de 300 anos

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Você sabia que o nome Brasil é proveniente de uma árvore muito valiosa e presente em abundância em nossas terras? Basicamente, o pau-brasil é uma árvore de madeira nobre, coloração vermelha em seu interior e que pode atingir até 30 metros de altura. Devido a sua riqueza, chamou logo a atenção dos portugueses, que deram início à exploração do pau-brasil por volta de 1530.

Entenda nesse texto os principais motivos que levaram a quase completa escassez da árvore, em qual período histórico ocorreu o processo de exploração e quais consequências isso tem até hoje.

Curiosidades sobre o pau-brasil

O termo Brasil faz referência ao tom avermelhado extraído da madeira da árvore. Com o tempo e a popularização da árvore em todo o mundo, especialmente na Europa, passou-se a chamar Brasil a terra da qual era extraída a planta.

Antes de mais nada, nos primeiros anos do achado, o nosso país também recebeu nomes como Ilha de Vera Cruz, Terra dos Papagaios e Terra de Santa Cruz.

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Assim também, a madeira tinha o nome científico de Caesalpinia echinata e já foi chamada de pau-de-pernambuco. Por sua vez, os índios nativos a chamavam de Ibirapitanga, que em tupi significa madeira vermelha.

Exploração do pau-brasil: quando ocorreu, por quê e quais consequências
Recentemente, botânicos descobriram um pau-brasil com mais de 600 anos de idade no sul da Bahia

Era encontrada principalmente na Mata Atlântica, na extensão que vai do Rio Grande do Norte ao Rio de Janeiro. Entretanto, a exploração do pau-brasil quase extinguiu totalmente a planta, que passou a ser replantada apenas no século XX.

O contexto histórico da dominação

A exploração do pau-brasil teve início a partir da chegada dos Portugueses na América, em 1500. A expedição liderada por Pedro Álvares Cabral avistou ao longe a região de Porto Seguro, na Bahia, onde estava localizado o Monte Pascoal.

Inicialmente, a “descoberta” das terras na América pouco atraiu a atenção dos portugueses, que lucravam mais com o comércio de especiarias da Índia.

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Sendo assim, apenas em 1530 teve início o processo de colonização e exploração do território. Com ele, ocorreu a divisão das Capitanias Hereditárias, a produção do açúcar a partir da cana e a retirada do pau-brasil.

Os portugueses iniciaram no século XVI o processo de dominação das terras tupiniquins e de seus moradores

Aliás, ao perceberem o potencial da árvore, os portugueses passaram a estabelecer uma série de regras para quem quisesse explorar o território. Para conseguir tal permissão, o indivíduo deveria adentrar 330 léguas para o interior das terras, além de custearem a extração.

Ademais, o interessado deveria ser responsável pela construção de sua própria feitoria, para garantir a segurança do território contra indígenas e invasores, como os franceses. Por último, era proibido queimar a madeira.

O processo de exploração do pau-brasil

Além de seu porte e beleza, a madeira presente no tronco do pau-brasil também produzia uma tinta forte que servia para produzir tecidos e móveis, despertando logo o interesse dos europeus, que cobravam mais caro pelos produtos.

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Esse processo de exploração do pau-brasil foi o primeiro que atraiu os colonizadores, que viam bastante facilidade na retirada da madeira, por sinal bastante abundante em todo o território.

Por outro lado, o trabalho pesado ficava por conta dos indígenas, violentados pelos portugueses e seduzidos pela troca de produtos, em um processo conhecido como escambo.

Exploração do pau-brasil: quando ocorreu, por quê e quais consequências
Os índios eram “contratados” para retirarem a madeira e, em troca, recebiam presentes

Ou seja, os portugueses “contratavam” os índios, que já conheciam o território e saberiam localizar melhor as árvores, e lhe pagavam com objetos como espelhos, canivetes, facas, entre outras coisas do tipo.

As feitorias

Esse processo era acompanhado pelas feitorias que foram construídas ao longo do litoral brasileiro. As principais nesse início eram a de Cabo Frio, Igarassu (Pernambuco) e Porto Seguro. Essas feitorias, a saber, eram os locais onde se armazenavam toda a madeira que era retirada.

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Segundo historiadores, a construção dessas estruturas tinha como objetivo, além de proteger a madeira, reduzir custos por meio do número de viagens, uma vez que a ancoragem das embarcações na costa brasileira era muito cara.

As feitorias eram armazéns onde ficavam armazenadas as madeiras extraídas pelo indígenas

Além de manter a boa relação com os indígenas, fundamentais no processo de exploração, os portugueses ainda precisavam lidar com os inimigos franceses, que descumpriram o Tratado de Tordesilhas e passaram a invadir as terras para contrabandear pau-brasil para a Europa.

Desde então, essa disputa obrigou Portugal a proteger seus interesses. Com isso, foram criadas várias expedições para monitorar a chegada de invasores. Contudo, apesar da vigília e da autorização para abrir fogo, os franceses conseguiram avançar, tentando se estabelecer no Maranhão e no Rio de Janeiro.

Consequências da exploração do pau-brasil

A exploração do pau-brasil abriu caminho para a consolidação dos portugueses no Brasil, em um processo de dominação que só foi desfeito em 1822. Nesse sentido, a derrubada em massa dessas árvores a colocou em risco de extinção, sendo raros os casos em que ainda é possível encontrar a espécie no Brasil.

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Exploração do pau-brasil: quando ocorreu, por quê e quais consequências
A exploração desenfreada quase levou a extinção do pau-brasil

Contudo, na segunda metade do século XX, uma boa quantidade dessas árvores foi recuperada.

Gostou de saber mais sobre a história do Brasil? Saiba mais lendo o texto sobre o Brasil Colônia.

Fontes: InfoEscola, Brasil Escola, Mundo Educação, História do Mundo

Imagens: O Eco, Univiçosa, Ensinar História, Educação e Transformação,

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