Francis Bacon, quem foi? Ideias, obras e como impactou a Filosofia

Francis Bacon foi um filósofo e estadista inglês que serviu como procurador-geral e lorde chanceler da Inglaterra.

Francis Bacon, também conhecido como Lord Verulam, foi um filósofo e estadista inglês que serviu como procurador-geral e lorde chanceler da Inglaterra. Bacon nasceu em Londres, em 1561, falecendo na mesma cidade, em 1626.

Seus trabalhos foram essenciais para o desenvolvimento do método científico e permaneceram influentes durante a revolução científica, entre os séculos XVI e XVIII. Em suma, Francis Bacon é considerado um dos pais do empirismo.

Biografia de Francis Bacon

Nascido em 22 de janeiro de 1561, Francis Bacon era proveniente de uma família abastada, dona de inúmeras terras na região de Londres. Desde pequeno, sua educação foi voltada para uma futura e promissora carreira política.

Francis Bacon
Fonte: Shakespeare-evidence

Aos 12 anos, Bacon ingressou no Trinity College da Universidade de Cambridge, onde teve a oportunidade de aprimorar sua educação à excelência.

Início da carreira política de Francis Bacon

Logo após completar 23 anos, Francis Bacon foi eleito para a Câmara dos Comuns, o equivalente à Câmara dos Deputados do Brasil.

Nos primeiros anos como representante de um pequeno distrito inglês, o vindouro filósofo advogou pela tolerância religiosa e pela supremacia estatal sobre a Igreja.

Nesse ínterim, ele escreveu a ‘Carta de Conselhos’ à rainha Elizabeth I, onde desde já buscava se ligar aos serviços da Coroa Britânica.

Não demorou para que, com o auxílio do tesoureiro real Lord Burghley, seu tio materno, e do Conde de Essex, se tornasse conselheiro particular da rainha.

Ambicionava se tornar procurador-geral, mas nunca ocupou o posto até o reinado de Jaime I. Eventualmente, o rei Jaime I nomeou Francis Bacon procurador-geral em 1607. Seis anos depois, como fiscal-geral.

Os anos seguintes trouxeram ainda mais poder para Bacon: ele se tornou Lorde Conselheiro (1616), Lorde Guardião (1617) e, por fim, Lorde Chanceler (1618). Por fim, no mesmo ano foi nomeado Barão de Verulam e, em 1621, Visconde de St. Albans.

Fim da carreira política

Três anos após se tornar lorde chanceler, um dos cargos mais importantes do Reino Unido, Francis Bacon foi acusado de suborno e corrupção pela Câmara dos Comuns.

Conforme a comunidade acadêmica, Francis Bacon é considerado um dos pais do empirismo. Fonte: Metro Publications

Ao final do julgamento, foi condenado pela Câmara dos Lordes ao pagamento de uma pesada multa e à prisão na Torre de Londres.

Em síntese, existem debates no meio acadêmico sobre a culpabilidade de Bacon. Alguns estudiosos argumentam que ele foi perseguido por suas convicções políticas e seus desafetos no Parlamento. Outros defendem que o inglês abusou de seus poderes dentro da Coroa.

De toda forma, ele foi perdoado pelo rei, apesar de ser proibido de retornar às atividades públicas ou se candidatar à cargos políticos.

Imersão na filosofia

Longe do funcionalismo público, Francis Bacon se tornou nacionalmente reconhecido como escritor e orador.

Nos dois últimos anos de sua morte, ocorrida em 1626, o estadista se dedicou por completo à Filosofia Científica e ao ensaio político. Em suma, sua obra literária se tornou muito mais relevante do que toda sua carreira política.

Falecimento de Francis Bacon

Francis Bacon não tinha herdeiros, de modo que ambos os títulos de nobreza que possuía foram extintos com sua morte em 1626, aos 65 anos.

Ele foi vítima de pneumonia, provavelmente tendo contraído a doença enquanto estudava os efeitos do congelamento na preservação da carne. Hoje, se encontra enterrado na Igreja de St Michael, St Albans, Hertfordshire (Inglaterra).

Defesa da ciência

Ao longo de sua vida, o filósofo defendeu a possibilidade do conhecimento científico baseado apenas no raciocínio indutivo e na observação cuidadosa dos eventos na natureza.

Ademais, ele argumentou que a ciência poderia ser alcançada pelo uso de uma abordagem cética e metódica, por meio da qual os cientistas procuram evitar se enganar.

Fonte: The Conversation

Embora o método baconiano não tenha tido uma influência duradoura, a ideia geral da importância e da possibilidade de uma metodologia cética faz de Bacon o pai do método científico.

Dessa forma, esse método foi um novo arcabouço retórico e teórico para a ciência, cujos detalhes práticos ainda são centrais nos debates sobre ciência e metodologia.

Obras

Tanto quanto outros filósofos empiristas, Francis Bacon escreveu as mais diversas obras políticas, jurídicas e literárias, reunindo uma vasta produção intelectual das quais se destacam:

  • Da Sabedoria dos Antigos;
  • Estandartes do Bem e do Mal;
  • História de Henrique VII;
  • Elementos das Leis Comuns da Inglaterra;
  • Novo Método ou Instrumento;
  • Grande Restauração;
  • Nova Atlântida;
  • Reflexões sobre a Natureza das Coisas;
  • Das Marés;
  • Classificação das Ciências;
  • História Natural e Experimental;
  • Escala do Entendimento;
  • Antecipações à Filosofia​;
  • Teoria de Francis Bacon.

Antes de tudo, para Francis, a ciência era uma técnica, cujos conhecimentos deveriam ser considerados instrumentos práticos de controle da natureza.

Portanto, ele visava demonstrar sua preocupação com os conhecimentos científicos no dia a dia. A ciência deveria valorizar a pesquisa experimental baseada na corrente empirista.

Teoria dos Ídolos

Em sua obra ‘Novum Organum’ (Novo Instrumento), Bacon desenvolveu uma de suas mais famosas teorias – a Teoria dos Ídolos.

A princípio, a figura dos ídolos estava baseada em falsas noções e hábitos mentais incutidos na mentalidade humana.

Sob o mesmo ponto de vista, a crença nos ídolos prejudicava o avanço da ciência e da racionalidade da nossa espécie. Simultaneamente, Bacon rejeitava o pensamento da filosofia medieval escolástica, que se baseava em noções abstratas e pouco lógicas.

Na obra ‘Novo Instrumento’, o filósofo apresentou os quatro gêneros de ídolos que geram falsas noções:

  • Primeiramente, advindos das limitações dos seres humanos, estão os Ídolos da tribo;
  • Em referência ao “mito da caverna” de Platão, que exemplifica as falsas noções do ser humano, estão os Ídolos da caverna;
  • Referindo-se aos vícios da linguagem e da comunicação, estão os Ídolos do mercado ou do foro;
  • Por fim, encontrados no campo filosófico, científico e cultural, estão os Ídolos do teatro.

Método Indutivo de Investigação

Em síntese, para combater os erros provocados pelas crenças nos ‘ídolos’, Francis Bacon criou o modelo de investigação através do método da indução.

Francis Bacon
Fonte: Pixels

O modelo é baseado em observações criteriosas dos fenômenos naturais – isto é, no empirismo.

Nesse sentido, o método indutivo, como ficou conhecido, está dividido em quatro etapas, conforme estabelecido pelo filósofo inglês:

  • Coleta de informações a partir da observação rigorosa da natureza;
  • Reunião, organização sistemática e racional dos dados recolhidos;
  • Formulação de hipóteses segundo a análise dos dados recolhidos;
  • Por fim, a comprovação das hipóteses a partir de experimentações.

Frases marcantes de Francis Bacon

Em conclusão, o acervo de obras e contribuições literárias de Bacon inclui algumas frases célebres, tais como:

  • “O conhecimento é em si mesmo um poder.”
  • “O homem deve criar as oportunidades e não somente encontrá-las.”
  • “Triste não é mudar de ideia. Triste é não ter ideias para mudar.”
  • “Não se aprende bem a não ser pela experiência.”
  • “As pessoas preferem acreditar naquilo que elas preferem que se seja verdade.”
  • “Não há equívoco maior do que confundir homens inteligentes com sábios.”

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Fontes: Toda Matéria, E-biografia, Mundo Educação, Brasil Escola, Info Escola

Imagens: Shakespeare Evidence, Metro Publications, The Conversation, Pixels

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