História da escrita, a invenção mais decisiva da humanidade

Responsável por marcar oficialmente o início do registro da história, a escrita passou por muitas evoluções ao longo dos anos.

A comunicação é um processo social primário. Logo, trocar informações é algo inerente aos humanos e, desde os primórdios de sua existência, esses indivíduos vêm aperfeiçoando a maneira de emitir e receber mensagens. E, dentre as várias formas de compreender e ser compreendido pelo outro, existe a história da escrita.

Levando em consideração toda a trajetória da humanidade até aqui, é complexo definir exatamente o ponto de origem da escrita.

Contudo, várias civilizações diferentes exploraram uma forma de registrar fatos, crenças e costumes que constituíam seu cotidiano. Sendo assim, a partir da necessidade de compartilhar informações com a posteridade, nasceu a escrita.

Atualmente, a leitura e escrita são componentes imprescindíveis na formação do indivíduo e chegam a ser garantidas como um direito constitucional. Todavia, isso não significa que não haja uma falta de acessibilidade à grande parte da população, já que o índice de analfabetismo no mundo segue surpreendendo.

Da pré-história aos dias atuais, a origem da escrita passou por diversos povos, evolui ao longo dos séculos e segue em processo em democratização, entenda:

Pré-história: Da pictografia à escrita

Não se sabe ao certo quando ou como se deu o fim da pré-história. Todavia, é um consenso entre os cientistas que o principal marco da conclusão desse período foi a origem da escrita.

História da Escrita - origem, evolução e democratização
Pictografia

Embora os únicos registros a respeito da comunicação do homem primitivo sejam pinturas rupestres, historiadores as consideram um primeiro passo para a escrita.

Visto que a arte rupestre não era padronizada ou organizada, a mesma não é considerada um tipo de escrita. Contudo, através dos chamados “pictogramas”, os famosos desenhos nas paredes, o indivíduo pré-histórico retratou parte do seu cotidiano e, de forma bem simples, deixou registros que foram estudados pela posteridade.

Assim, a partir do momento em que o Homo sapiens deixou de ser nômade e passou a viver em comunidade, surgiu a escrita.

Muito além de um meio durável e privilegiado de comunicação, a escrita foi utilizada principalmente em operações comerciais. Esse foi o pontapé inicial para o registro daquilo que hoje é conhecido como “história”.

História da escrita

Seguindo as mudanças sociais e consolidação das primeiras cidades, pelo menos quatro sistemas de escrita foram inventados de forma independente em épocas diferentes.

Apesar de suas especificidades, povos da Mesopotâmia, Egito, China e América Central se encontraram em suas respectivas descobertas isoladas da escrita.

Mesopotâmia: Escrita Cuneiforme

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Escrita cuneiforme

Os exemplos mais antigos que remontam a origem da escrita são datados 3.300 anos antes de Cristo. Os sumérios que habitavam a Mesopotâmia (atual Iraque), desenvolveram a Escrita Cuneiforme. O termo referente à  cunha, revela que a ferramenta era a caneta daquele tempo.

Egito: Escrita Demótica e Hieroglífica

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Escrita Hieroglífica

Coincidentemente, não muito longe dali, a civilização egípcia também elaborou não uma, mas duas escritas.

Enquanto a primeira era chamada Escrita Demótica, e representava uma técnica mais simples e popular, a segunda se tratava da conhecida Escrita Hieroglífica, uma prática mais complexa e considerada sagrada, formada por desenhos e símbolos.

China: Sistema Ideográfico

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Sistema ideográfico

Já os chineses, além de inventarem o papel, também utilizaram muitos outros recursos na escrita.

Conhecido como Sistema Ideográfico, a escrita chinesa possui um símbolo para cada coisa, resultando em um acervo composto por mais de 160 mil ideogramas.

Todavia, em decorrência das mudanças sofridas ao longo dos anos, nos dias atuais são utilizados apenas de 5.000 a 8.000 desses caracteres.

América Central: Escrita Nahuatl

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Escrita Nahuatl

Ademais, na América Central, os povos maias e astecas também possuíam seus próprios sistemas de escrita.

Infelizmente, grande parte dos documentos escritos foi destruída pela invasão dos europeus na região. A escrita pertencente a esse povo é chamada de Escrita Nahuatl e teve início a partir do século XIII, mas ainda não foi totalmente decifrada pelos pesquisadores.

O alfabeto na história da escrita

Alfabeto fenício

Falando na história da escrita, e o alfabeto popularizado pelo ocidente, de onde surgiu? Bom, a representação fonética foi desenvolvida pelos fenícios.

Originalmente, esse povo deu origem a 22 sinais, aos quais foram acrescentadas as vogais pelos gregos, simultaneamente com a retirada de letras cujos sons não existiam nessa cultura.

Logo, o alfabeto passou a ser representado por 24 sinais e serviu como base para a criação do alfabeto conhecido hoje, que teve origem no sistema greco-romano.

A democratização da escrita

Nos seus primeiros anos, a escrita era um privilégio destinado à algumas pessoas específicas. Por exemplo, no Egito, os escribas eram uma classe de destaque, pois detinham esse conhecimento.

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Nikhita S.

E até a Idade Média, quando Johannes Gutenberg inventou a prensa capaz de amplificar a produção de livros, as pessoas comuns ainda não tinham acesso à escrita, sendo o clero e a nobreza os principais detentores desse privilégio.

Hoje, a Constituição Federal de 1988 garante o direito à educação, o que inclui a alfabetização dos indivíduos pertencentes à sociedade brasileira.

No entanto, dados recentes apontam que o analfabetismo resiste no Brasil e no mundo do século 21. Ao que tudo indica, ainda existem aproximadamente 750 milhões de jovens e adultos que não sabem ler e nem escrever, espalhados pelo planeta.

Ademais, segundo a Unesco, o problema do analfabetismo ainda perdurará por muito tempo.

O que achou da matéria? Se gostou, confira também: História do livro – Origem, evolução da escrita e prensa móvel.

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