História

Maio de 1968 – Contexto político e manifestações sociais

Maio de 1968 foi marcado por uma série de protestos iniciados em Paris, especialmente por estudantes insatisfeitos com a educação francesa.

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Maio de 1968 ficou conhecido na história mundial como o mês em que estudantes franceses deram início a uma série de protestos. O movimento começou com manifestações contra o sistema educacional da França e teve apoio de trabalhadores em Paris.

O mundo passava por um momento de agitação popular, prova disso eram os protestos contra a participação americana na Guerra do Vietnã, além do combate ao racismo nos Estados Unidos. No Brasil, o país passava pela ditadura e muitos foram às ruas protestar contra.

Todavia, influenciados por ideias anarquistas e marxistas, os estudantes da França iniciaram um movimento que tentaria mudar o mundo. A crítica ao sistema educacional e contra a própria sociedade capitalista foi a grande luta em maio de 1968.

Contexto político em maio de 1968

As manifestações ocorridas na França em maio de 1968 aconteceram em um contexto político de extrema tensão em todo mundo. Nos Estados Unidos, protestos contra a Guerra do Vietnã levava milhões às ruas, enquanto o país tinha a notícia do assassinato de Martin Luther King.

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Maio de 1968 – Contexto político e manifestações sociais
Revolução cultural chinesa, encabeçada por Mao Tse Tung.

Na Europa, a Primavera de Praga lutava contra o autoritarismo imposto pelos soviéticos e, na Alemanha, estudantes iam às ruas em Berlim. Consequentemente, América do Sul lutava contra ditaduras militares e a África passava por um processo de descolonização.

Todavia, esses movimentos pelo mundo acabaram influenciando os estudantes em Paris. Inspirados em ideais marxistas e anarquistas, os acontecimentos de maio de 1968 também se apoiavam na Revolução Cultural chinesa, promovida por Mao Tsé-Tung, desde 1966.

Causas para o maio de 1968

Internamente, a França passava por um momento delicado e a população sofria com o desemprego crescente da década de 1960. Paralelamente, a sociedade francesa questionava o governo de Charles de Gaulle e também o sistema educacional do país.

Todavia, as universidades eram ambientes conservadores, com professores reacionários que não conseguiriam desenvolver a educação de forma plena para novos estudantes. O aumento nas ofertas de vagas também preocupou os estudantes quanto à qualidade do serviço oferecido.

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Vermelho.

Nesse sentido, o aumento no número de estudantes no país possibilitou a consolidação do movimento estudantil. Desde 1966, a França lidava com protestos contra o sistema de educação, que acabaram ganhando mais força após a prisão de seis estudantes.

Assim, em março de 1968, um prédio da Universidade de Paris em Nanterre foi ocupado por estudantes do recém-nascido Mouvement du 22 Mars (Movimento de 22 de março), liderado pelo estudante anarquista Daniel Cohn-Bendit.

Acontecimentos de maio de 1968

Após a chegada da polícia, os estudantes em Nanterre foram evacuados, o que não foi o bastante, pois novos protestos aconteceram nos meses de março e abril. A polícia continuava a agir de forma violenta e truculenta, a fim de acabar com os protestos.

Todavia, em 2 de maio de 1968, o campus de Nanterre foi fechado pela administração e estudantes que participavam foram ameaçados com a expulsão da universidade. Após a ameaça da reitoria, estudantes da Sorbonne, em Paris, solidarizavam-se com os de Nanterre.

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Nesse sentido, os confrontos do 3 de maio foram bastante violentos. Usando da sua força, a polícia incendiou carros e incriminou os estudantes, que responderam com a construção de barricadas que tentavam conter o avanço das forças repressoras.

EL PAÍS.

Os estudantes tinham a urgência de incluir novas pautas aos seus protestos daquele maio de 1968 e as manifestações ganharam força e o apoio da classe trabalhadora francesa. Nesse sentido, sindicatos convocaram greve geral e cerca de 10 milhões de trabalhadores aderiram ao movimento.

Com a adesão dos trabalhadores aos protestos, o presidente Charles De Gaulle se viu na posição de negociar com sindicatos e empresários, para que os trabalhadores voltassem às suas funções.

Com o fim da negociação, a classe trabalhadora conseguiu benefícios que incluíam aumentos de salários e redução na jornada de trabalho, além de mais liberdade para a organização dos sindicatos. Mesmo assim, nem todos voltaram ao trabalho e o presidente francês continuava usando a força da polícia contra os manifestantes ainda insatisfeitos.

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A negociação com os trabalhadores acontecia enquanto os estudantes ainda seguiam seus protestos de maio de 1968. A pauta anti-capitalista e anti-governista continuava e mensagens clássicas como ‘é proibido proibir’ eram repassadas como forma de descontentamento com o conservadorismo da sociedade francesa.

Fim dos protestos

O maio de 1968 foi um mês marcado por protestos que acabaram perdendo a força no final do mês. Com a retomada do trabalho por parte de alguns trabalhadores e a repressão do presidente de Gaulle, os protestos perderam força.

Carta Maior.

Enquanto a sociedade reagia aos protestos, o então presidente anunciava que não renunciaria, enquanto convocava eleições legislativas para o mês de junho. Assim, 10 milhões de trabalhadores grevistas eram reduzidos a apenas 150 mil, estudantes perdiam força e as ruas voltavam ao normal.

Todavia, ao final das eleições realizadas em junho, o partido do presidente Charles de Gaulle se fortalecia e a mobilização dos estudantes franceses naquele maio de 1968 acabou influenciando outros estudantes pelo mundo.

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Então, o que achou da matéria? Se gostou, leia também: Conflito entre Israel e Hamas – História, motivos e risco de guerra.

Fontes: Brasil Escola, Politize, História do Mundo

Imagens: RFI, Esquerda Marxista, Vermelho, EL País, Carta Maior

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