História

O que é capitalismo? Tipos, principais conceitos e história

Capitalismo é um sistema econômico-social e político que tem como pressupostos a exploração da força de trabalho e a propriedade privada.

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Capitalismo é um sistema econômico, social e político, que tem como pressupostos a exploração da força de trabalho, a propriedade privada e o lucro máximo fundamentado na mais-valia. Contudo, para saber o que é capitalismo, devemos nos ater à terminologia etimológica da palavra.

O termo capitalismo está relacionado à capitale (principal, primeiro, chefe), palavra que tem origem no indo-europeu kaput e significa cabeça. Porém, com relação à sua ideologia, todos os pressupostos, como força de trabalho, propriedade privada e lucro máximo, foram sendo estruturados ao longo da história de sua evolução.

Nesse sentido, a principal diferença do capitalismo para as sociedades pré-capitalistas, é a exploração do trabalho e a separação do produtor de seu meio de produção.

Pré-capitalismo

No pré-capitalismo o homem não é separado das condições orgânicas de sua existência. Neste sentido, os homens não são separados da terra. Neste sentido, a propriedade não é resultado do trabalho, é sua condição. Os homens trabalham porque participam da comunidade ou propriedade comum.

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No modo de produção capitalista, acontece o desaparecimento da forma comunitária de trabalho, substituída pelo trabalhador livre. Assim, esse trabalhador vende a sua força de trabalho que é separada dos meios de produção, ou seja, ele não está vinculado à terra e se configura como um trabalhador livre.

O que é capitalismo?

O surgimento desse novo meio de sociedade não se dá de forma marcada, mas sim de maneira estruturada. Mesmo porque, existem muitas teorias divergentes sobre o tema. Alguns pesquisadores apontam para o século XII como um marco dessa mudança, outros para o século XV ou XVI.

Contudo, o século XII foi muito marcado por mudanças sociais pela decadência do feudalismo e emergências das cidades ou burgos, o advento do homem livre, que diferente do servo podia trabalhar livremente sem ter que arcar com as pesadas taxas de impostos.

Segundo Henri Pirene, o renascimento comercial do século XII já possuía características do capitalismo enquanto mercantilismo. Neste sentido, já se visualizava nessa época a produção artesanal e manufatureira, e se vislumbrava a condição de cidadão (burguês). 

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Em síntese, a definição de capitalismo se classifica nas seguintes etapas: 

Fase comercial

O capitalismo comercial se consolidou com o advento das cidades e das grandes navegações, se estendendo do século XIV ao século XVIII.  Assim, estabeleceram-se as feiras livres, o uso de moedas e a nova classe social, a burguesia.

A igreja não viu com bons olhos, e chamava de vil tudo que se referia às transações comerciais, e o tempo na programação das horas de trabalho. Pois, para ela, o tempo tinha que ser determinado por Deus e não pelo homem.

Em contrapartida, como símbolo da força da burguesia, surgiram já no século XIV os primeiros relógios públicos em torres, como um marcador para transações comerciais.

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Por outro lado, vale lembrar que as principais características do capitalismo nesta época eram as trocas comerciais, riquezas, acumulação de matérias-primas e especiarias. Além disso, também fazem parte do nascente perfil capitalista, o fortalecimento dos estados nacionais, acumulação e obtenção do lucro pela burguesia e aristocracia.

No mesmo período, surgiram também os produtos manufaturados, o metalismo (mercantilização e valorização dos metais preciosos) e os meios de equilíbrio da balança comercial, ou seja, exportar e vender mais do que importar e comprar.

Dessa forma, pensando na questão sobre o que é o capitalismo, muitas nuances foram formadas, mesmo dentro do capitalismo comercial.

História digital

Max Weber viu nessa mudança a influência do pensamento religioso protestante, o qual chamou de nova ética protestante ou ascetismo mundano. Neste sentido, Karl Marx também concordou que o século XVI foi a origem do capitalismo, enquanto estruturação de sua premissa básica, a busca do lucro máximo.

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Capitalismo Industrial

A partir do século XVIII surgem algumas mudanças, principalmente em relação às relações de trabalho, mudanças essas que já vinha se esboçando em épocas anteriores. Primeiramente, o que marca essa mudança é a passagem das manufaturas para a indústria.

Contudo, estas mudanças estão atreladas a Revolução Industrial (1760-1820) e Revolução Francesa (1789/1799), onde o capitalismo se fundamenta como exploração da força de trabalho, visando o lucro máximo ou a mais-valia.

Porém, este tipo de capitalismo é mais proeminente na Inglaterra, que se transforma em um império industrial e liberal, pois se fundamenta no liberalismo preconizado por David Ricardo e Adam Smith, onde o estado se retira cada vez mais da esfera pública de controle mercantil.

Na manufatura já se dava a separação do trabalhador e os meios de produção. Portanto, o trabalhador começou a se pôr na figura do trabalhador coletivo, perdendo sua individualidade virou um tipo de alienação, que no capitalismo industrial se fortalece e se estabiliza.

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Portanto, no capitalismo industrial já se configura o seguinte esquema: massa de capital investido em exploração de massa de força de trabalho e associado aos meios de produção.

O trabalhador

No capitalismo industrial, diferentemente das manufaturas do capitalismo comercial, a aptidão e habilidades individuais são substituídas pelo saber científico. Neste sentido, o processo de produção torna-se autônomo, independente do indivíduo.

Assim, o modo de divisão de trabalho obedece às necessidades técnicas da fabricação, substituindo o conceito de ofício das manufaturas artesanais. Assim, a indústria é regida por princípios objetivos, operações transparentes de uma ciência moderna e tecnológica.

Por outro lado, na manufatura, a produção se moldava ao operário, já na indústria o operário se adapta à produção. Nesse processo, o trabalho coletivo da manufatura se transforma em reificação na indústria, ou seja, transformação do trabalhador em coisa, sem subjetivação em sua relação de trabalho.

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Contudo, as conceituações sobre o que é o capitalismo de dividem nas seguintes características:

Características da fase industrial

  • Novas divisões do trabalho;
  • Trabalho assalariado;
  • Mais-valia: diferença entre o trabalho necessário e proporcional, além da jornada total. Esta diferença se configura em horas não pagas pelo empregador, o que proporciona um lucro máximo;
  • Liberalismo e livre concorrência;
  • Surgimento do proletariado;
  • Supremacia da burguesia como detentora dos meios de produção;
  • Aumento da desigualdade social.

 O que é o Capitalismo financeiro?

As características principais desse capitalismo são o investimento do capital bancário sobre o capital industrial. As empresas se dividem em ações, possibilitando um capital aberto, onde vários acionistas investem e recebem dividendos desses investimentos. Este tipo de capitalismo deu origem às práticas especulativas no sistema financeiro e a acumulação se intensificou.

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Porém, em 1929, aconteceu a quebra da bolsa, fato que ocasionou a intervenção do estado na intenção de socorrer principalmente os bancos.

A partir desse crescimento do estado no controle da economia, surgiu o sistema keynesiano, inspirado em John Maynard Keynes, economista britânico. Assim, suas ideias mudaram fundamentalmente a teoria e prática da macroeconomia que são relacionadas às causas dos ciclos econômicos.

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Neste sentido, quando a vulnerabilidade e a instabilidade do sistema financeiro começaram a originar crises incontornáveis, foi preciso que o estado tomasse medidas anticíclicas, com investimentos em áreas sociais. Sendo assim, foi preciso o retorno ao estado forte, o chamado Welfare State (bem-estar social).

As características do capitalismo financeiro se estendem também ao surgimento das multinacionais e transnacionais, empresas que se instalaram em países subdesenvolvidos a fim de obter mão de obra barata, ampliação do mercado e matéria-prima.

Com a evolução desse sistema, surgiu a globalização na década de 1980 com a derrocada do Keynesianismo em benefício do neoliberalismo com mínima participação do estado.

Características do capitalismo financeiro

  • Bolsa de valores;
  • Controle da economia por bancos e corporações;
  • Produtos financeiros: ações, moedas, empréstimo financeiro etc;
  • Monopólio e oligopólio;
  • Cartéis e holdings;
  • Especulação e globalização.

Capitalismo Informacional

Em síntese, para sabermos o que é capitalismo em uma conceituação mais nova e contemporânea, podemos falar ainda em capitalismo tecnológico que surge nas grandes redes tecnológicas de informação e comércio, chamado também de capitalismo informacional pelo sociólogo espanhol Manuel Castells.

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Em seu livro “Sociedade em Rede”, esse autor mapeia um cenário mediado pelas novas tecnologias de informação e comunicação (TICs) e como elas interferem nas estruturas sociais. Para construir esse conceito ele remete aos anos 70 e às modificações nas relações humanas.

Começa pelas pesquisas militares que foram utilizadas amplamente no setor financeiro, principalmente na reestruturação do capitalismo. Neste sentido, o capital se aproveitou do processo de desregulamentação promovido pelos EUA, Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, multiplicando sua circulação em diversos mercados mundiais.

A tecnologia tem o papel também na reestruturação das empresas visando os baixos custos financeiros.

Gostou da matéria? Se gostou leia também, Fases do capitalismo, quais são? Contexto histórico e características

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Fontes: Brasil Escola, Politiza, Stoodi, Concursos no Brasil

Imagens: Pexels, Adm Fácil, história digital

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