Reforma Protestante – Contexto histórico, causas e consequências

A Reforma Protestante marcou o século XVI por criticar o comportamento abusivo da Igreja Católica e promover uma reformulação da mesma.

O século XVI foi marcado por um importante movimento de cunho político, econômico e teológico, a Reforma Protestante. Ao passo que a Idade Média girou em torno de uma forte influência por parte da Igreja Católica, a transição para a Idade Moderna foi caracterizada exatamente por essa perda de poder eclesiástica.

Embora as exigências do clero já viessem sendo questionadas desde a Baixa Idade Média, foi através do levante organizado por Martinho Lutero que as mudanças finalmente tomaram forma. Através de suas 95 teses, o monge alemão exigiu moralidade por parte da Igreja Católica, a qual havia se afastado de seus princípios.

Surpreendentemente, a Reforma Protestante luterana não tinha fins separatistas. Apesar de ter provocado profundas mudanças no cristianismo ocidental, Lutero não queria romper com a igreja, apenas manifestar sua insatisfação com a venda de indulgências e práticas afins. Porém, mal imaginava ele que essa seria a gênese do protestantismo.

Contexto histórico

A Reforma Protestante surgiu como manifesto contra uma série de abusos de autoridade cometidos pela Igreja Católica

Visto que a Reforma Protestante se deu no século XVI, é importante entender como se encontrava o cenário na época. Pois bem, a Europa estava passando por importantes transformações sociais, políticas, culturais e econômicas. Logo, esse era apenas um indício do declínio dos moldes medievais e ascensão de uma nova realidade.

Ao passo que o teocentrismo foi posto em questionamento pelo antropocentrismo do Renascimento, a sociedade passou a questionar a Igreja Católica. Ademais, as artes avançavam junto com o conhecimento científico e a informação se tornou mais acessível após a invenção da imprensa. Assim, a influência religiosa foi enfraquecendo.

Ademais, o processo de formação dos Estados Nacionais acabou centralizando o poder do governo e tornando os interesses políticos mais complexos. Como resultado disso, um jogo de poder foi iniciado e a monarquia passou a se desentender com o Papa.

Assim, muitos nobres passaram a apoiar a reforma de Lutero. Segundo a linha de pensamento dos mesmos, esse levante enfraqueceria a Igreja e lhes garantiria maior autonomia política e, consequentemente, econômica.

No entanto, vale ressaltar que a Reforma Protestante Luterana não foi um movimento pioneiro. Na verdade, no campo religioso, há muito tempo já vinham questionando as práticas da Igreja Católica. Ainda na Idade Média, a corrupção, abuso de poder e desvio de caráter do clero já havia engatilhado movimentos reformistas.

Dessa forma, historiadores apontam que nomes como os valdenses, John Wycliffe e Jan Hus precederam Martinho Lutero ao questionarem o comportamento clérigo nos séculos XIV e XV. Em suma, todos tinham críticas voltadas para o acúmulo de poder, desvios de ensinamento e venda de indulgências da Igreja Católica.

Causas que resultaram na Reforma Protestante

Reforma Protestante - Contexto histórico, causas e consequências
Apesar de um conjunto de fatores ter contribuído para a eclosão da Reforma Protestante, o estopim foi a venda de indulgências

Assim como mencionado acima, na Europa do século XVI a atmosfera era de tensão. Além da monarquia estar tentando se desprender da Igreja, em busca de autonomia política e econômica, a burguesia em ascensão também passou a se opor ao clero.

Veja bem, a Igreja possuía grandes extensões territoriais e recebia tributos feudais. Esse acúmulo de capital pelo Papa desagradou a nobreza e os comerciantes. Além disso, não demorou para que as classes mais baixas apresentassem descontentamento pela cobrança do dízimo e demais taxas.

Ademais, o abuso de autoridade por parte dos membros da Igreja era gritante. A simonia, nome dado à venda de cargos na Igreja vinha se tornando comum e o nicolaísmo, quebra de celibato, também. Assim, a credibilidade do clero foi ficando cada vez mais manchada.

Apesar desses fatores terem originado o descontentamento social com o clero, o real problema foi a venda de indulgências. A prática do comércio de bens eclesiásticos foi o estopim para a desmoralização da Igreja Católica. Logo, Martinho Lutero, apoiado em movimentos anteriores, viu a necessidade de uma Reforma Protestante.

Martinho Lutero e a Reforma Protestante

Martinho Lutero era um monge agostiniano e professor universitário alemão

Apesar de ter sido precedido por outros líderes reformistas, Martinho Lutero é o nome de destaque da Reforma Protestante. Além de professor da Universidade de Wittenberg, Lutero era um monge agostiniano alemão. Assim como grande parte da sociedade europeia da época, o clérigo ia contra algumas práticas da Igreja Católica.

Então, em 1517, revoltado com a venda de indulgências realizada por João Tetzel, um dominicano, Lutero escreveu um documento com 95 teses criticando a Igreja e o próprio Papa. Em seguida, ele colocou essas teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg visando que seus alunos as lessem e se preparassem para um debate em classe.

Todavia, o manifesto de Lutero fez tanto sucesso que seus alunos o imprimiram e divulgaram para a população. Assim as teses de Martinho Lutero alcançaram uma proporção inimaginável, chegando ao próprio Papa Leão X. Esse último, por sua vez, exigiu a retratação de Lutero através de uma bula, um documento papal.

Porém, Lutero queimou a bula em público, o que agravou a situação. Após ser excomungado, o monge alemão foi acolhido pela nobreza. Assim, no castelo de Wartburg, ele se dedicou à tradução da Bíblia do latim para o alemão e desenvolveu os princípios da teologia luterana, na qual a principal ideia é que “o justo viverá pela fé”.

Consequências do movimento

Reforma Protestante - Contexto histórico, causas e consequências
Após o manifesto de Lutero, o protestantismo ganhou força na Europa e no resto do Ocidente

Após o levante de Lutero na Reforma Protestante, guerras religiosas foram travadas. Paralelamente, em 1540, o Papa Paulo III convocou o Concílio de Trento. Esse evento visava reagir ao crescimento do protestantismo, dando início à contrarreforma. Além de exigir uma especialização dos membros do clero, esse movimento censurou alguns livros.

Apesar de ter conseguido limitar o avanço do protestantismo, a contrarreforma não foi suficiente para extingui-lo. Afinal, o mesmo já havia ganhado muito espaço na Europa. Assim, os ideias de Lutero passaram a ser compartilhados e sua sugestão de renovação clerical foi adotada por muitos.

Aliás, na França e Holanda, os princípios luteranos foram ampliados por João Calvino. Para Calvino, independente da fé, é deus quem escolhe aqueles que serão salvos. Ao fim das guerras religiosas, foi decidido que cada governante dentro do Sacro Império poderia escolher sua religião, bem como a de seus súditos.

E então, o que achou dessa matéria? Se gostou, confira também: Saiba como ocorreu a reforma protestante e quem foram seus líderes.

Fontes: Toda Matéria, Brasil Escola, Educa Mais Brasil, História do Mundo.

Imagens: Sua Bíblia NVT, Sursum Corda, TRVW, VEJA, Canção Nova.

Escolhidas para você

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.