Regimes totalitários, o que são? Definição, contexto e o que representam

Os regimes totalitários dominaram a Europa no século XX com um discurso autoritário, nacionalista, conservador e extremista.

Após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), foi possível notar que diversos países europeus entraram em colapso, afundados em uma crise econômica e identitária que colocou em dúvida a eficácia da democracia liberal. Nesse sentido, surgiram os regimes totalitários, baseados em um Estado autoritário, conservador e unilateral.

Os regimes totalitários eram baseados em um sistema conhecido como totalitarismo, caracterizado pelo domínio absoluto de uma única pessoa ou partido no poder. Além disso, essa forma de governar tinha forte presença do militarismo, que atuava com o objetivo de impor a doutrina e ideologia pregada pelo líder supremo daquela nação.

Saiba mais agora sobre os regimes totalitários, quais são, o que representam e onde predominaram.

A ascensão do totalitarismo

O totalitarismo teve seu auge nas décadas de 1920 e 1930. Esse efeito catalisador se deu sobretudo após as destruições provocadas pela Primeira Guerra Mundial.

Desse modo, o sistema liberal e democrático se enfraquecia e cedia espaço a uma forma de governar que, entre outros métodos, abominava a liberdade de expressão e os direitos individuais e coletivos.

Regimes totalitários: definição, contexto e o que representam
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Na época, as milhões de mortes, o saldo econômico negativo e os conflitos políticos incentivaram as pessoas a verem os regimes totalitaristas como solução. Por outro lado, havia o medo do avanço do comunismo e um ressentimento deixado pela disputa entre os países.

As características dos regimes totalitários

Embora existam outros sistemas semelhantes, as características principais estabelecidas pelos historiadores acerca do totalitarismo são definidas com base na semelhança entre o fascismo, stalinismo e o nazismo. Essas foram as formas de governo mais conhecidas e marcadas por pontos em comum.

Conforme mencionado acima, a censura era uma prática muito comum entre os regimes totalitários. Como o poder estava concentrado nas mãos de um ditador que não admitia qualquer manifestação de oposição a sua figura, a liberdade de expressão era oficialmente proibida, tanto a nível individual quanto coletivo/profissional (imprensa).

Também havia o culto ao líder e a doutrinação. O primeiro consistia na valorização exagerada do líder, a ponto da população ser obrigada a reverenciá-lo com cumprimentos e se deparar com imagens do governista espalhadas pelas cidades.

Regimes totalitários: definição, contexto e o que representam
Polêmica Paraíba

Assim sendo, a doutrinação caminhava por um viés mais ideológico, em um processo de manipulação que tinha como objetivo propagar os ideais do governo acima de quaisquer outros. Essa imposição teve início ainda no ensino infantil.

Ademais, havia a centralização do poder, o terror como forma de domínio (incentivava a perseguição a opositores e imposição do medo), a militarização, o unipartidarismo (partido do governo era o único que existia) e, por último, a adoção do nacionalismo exagerado, que pregava o extremismo como maneira de “servir a nação”, “lutar pelo seu país”, em uma espécie de dever a ser cumprido.

Quais foram os principais regimes totalitários?

Ao falarmos sobre regimes autoritários na Europa, muitos associam o tema à figura de Adolf Hitler, líder que implantou o nazismo na Alemanha e foi responsável pelo extermínio de milhões de judeus. Entretanto, muitos outros surgiram na mesma época, sejam alinhados à extrema direita, como o fascismo, ou a extrema esquerda, como o stalinismo. Confira abaixo:

Nazismo

O nazismo foi o regime totalitário alemão que surgiu em 1919, originário do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães. Seu principal líder era Adolf Hitler, líder austríaco com uma incrível capacidade retórica, responsável por conquistar milhões de adeptos a prática nazista.

Essa ideologia promovia ideias antimarxistas, antiliberalistas e antissemitas, isto é, que promovia o ódio aos judeus devido ao não pertencimento à “raça ariana” (considerada pura e superior).

Em conformidade com esses ideais, ocorreu o Holocausto, genocídio que resultou no assassinato de seis milhões de judeus em campos de concentração espalhados pela Alemanha do século XX.

PB Vale

A ascensão do nazismo durou de 1933 a 1945, dando início a Segunda Guerra Mundial. Nesse ínterim, Hitler preparou seu país a guerrear contra as potências europeias que haviam derrotado sua nação no combate anterior.

Para que isso acontecesse, ele desrespeitou o Tratado de Versalhes e, através de um forte apelo militar e ideológico, conquistou grande parte da Europa, como a Áustria e a Checoslováquia.

Fascismo

O fascismo era o regime totalitário da Itália e foi instaurado por Benito Mussolini, em 1919, com a criação do Partido Nacional Fascista (PNF). Contudo, sua ascensão ao poder ocorreu apenas em 1922, com a Marcha sobre Roma.

Pressionado pela multidão, o rei Vítor Emanuel III foi obrigado a nomear Mussolini como primeiro-ministro italiano. Consequentemente, o líder se autoproclama ditador da Itália em 1925.

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Esse foi o primeiro movimento totalitário a surgir na Europa, servindo de base para os subsequentes. Dentro deste regime, podem ser destacados a disseminação de valores conservadores e ideológicos, a prática de atos violentos contra opositores, o unipartidarismo e o controle total do Estado sobre as instituições.

Stalinismo

O governo de Josef Stalin na União Soviética (URRS) perdurou de 1927 a 1953 e foi o mais conhecido regime totalitário de extrema esquerda do século XX.

Stalin assumiu o poder após o falecimento de Lenin, que morreu em 1924. Sua forma de poder, o stalinismo, foi marcada por perseguições a opositores, culto à imagem do líder e fim da propriedade privada.

O longo domínio no poder, durante vinte e seis anos, fez com que a população confundisse a figura de líder com a do Estado enquanto instituição de poder. Por isso, muitos não acreditaram quando Stalin faleceu em 1953.

Revista Movimento

Anteriormente, porém, ele deixou como marca de governo a perseguição a todos que eram vistos como ameaça ao Estado. Para tanto, ele mandava torturar, executar ou enviar seus inimigos para campos de trabalho forçados, conhecidos como gulag.

Ademais, o stalinismo também promoveu a coletivização das fazendas. Nesse sistema, os camponeses eram obrigados a entregarem suas posses ao Estado, que mantinha a propriedade das terras. Ao mesmo tempo, os camponeses eram obrigados a trabalharem nessas terras e venderem tudo a um preço baixo.

O desfecho dessa ação ficou conhecido como Holodomor, que impulsionou a industrialização na União Soviética ao mesmo tempo que matou milhões de pessoas devido à falta de alimentos.

Os regimes totalitários no Brasil e no mundo

No Brasil, devido a influência religiosa, não existiu regime totalitário e sim governos autoritários. Entre eles, podemos citar o Estado Novo (1937-1945) e a Ditadura Militar (1964-1985). Contudo, partidos foram fundados e ideais baseados no nazismo e fascismo foram disseminados com o integralismo brasileiro, na década de 30.

Agência Brasil

Atualmente, países como a Venezuela, Coréia do Norte, China e Cuba ainda vivenciam governos ditatoriais, porém não mais totalitários.

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Fontes: Toda Matéria, História do Mundo, Brasil Escola.

Imagens: Politize, Polêmica Paraíba, Psicanalistas pela democracia, PB Vale, Descomplica, Revista Movimento, Agência Brasil. 

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