Segregação socioespacial: o que é, causas e consequências

A segregação socioespacial é a marginalização de certas pessoas ou grupos sociais, tendo como causa fatores econômicos, culturais, históricos ou raciais no espaço das cidades.

A segregação socioespacial é a marginalização de certas pessoas, ou grupos sociais, causadas por fatores econômicos, culturais, históricos ou raciais no espaço das cidades.

Na contemporaneidade, os grandes centros urbanos têm um arranjo espacial fracionado. Ou seja, há várias partes que compõem um todo. Sendo assim, cada fração tem suas próprias particularidades.

Essa divisão da estrutura urbanística junto com o aumento da população e da própria cidade, resulta em uma precarização em relação ao todo da malha urbana.

Isso porque as pessoas não estão presentes na cidade como um todo, apenas em certas partes que se relacionam com o seu cotidiano. Isso geralmente envolve o local da residência, escola, trabalho e afins.

Além disso, a cidade se divide em questões financeiras. Sendo que as desigualdades estão presentes no arranjo urbano na maioria dos países capitalistas.

Como ocorre a segregação socioespacial

A segregação socioespacial é também chamada de segregação urbana. Em resumo, ela consiste na periferização de pessoas ou grupos sociais.

Sendo que essa marginalização pode ser causada por fatores econômicos, culturais, históricos ou raciais no espaço das cidades.

Exemplos de segregação urbana no Brasil, são as favelas, habitações em áreas irregulares, cortiços e áreas de invasão.

A segregação urbana pode ser vista como a representação ou reprodução espacial e geográfica da segregação social.

Sendo que ela está sempre relacionada com o processo de divisão e luta de classes, onde a população mais pobre tende a residir em áreas mais afastadas.

Além disso, esses espaços segregados, geralmente, têm uma baixa disponibilidade de infraestruturas como, por exemplo, pavimentação, saneamento básico e espaços de lazer.

Causas

Os autores Jean Lojkine, Roberto Lobato Corrêa e Flávio Villaça apontam como principal causa da segregação urbana a oposição entre centro e periferia e constitui-se a partir da formação de novas centralidades.

Em resumo, as cidades se constituem a partir dos seus espaços centrais e se expandem a partir disso. Enquanto isso, as classes mais altas tendem a se localizar perto do centro, já que são espaços mais valorizados.

O problema é que, com o passar do tempo, os centros ficam sobrecarregados. Sendo assim, a evolução das técnicas possibilita que as práticas e serviços se desloquem a partir de novos subcentros.

Dessa maneira, os subcentros vão ficando mais valorizados. Sendo assim, os preços dos terrenos e o custo de vida dessas regiões sobe.

O resultado disso é o afastamento dos mais pobres dessa região que passa a ser ocupada apenas pelos mais ricos. 

Nesse contexto, o Estado atua no oferecimento de melhores condições de infraestrutura, com uma maior diversidade de transportes, praças, áreas de lazer para os centros e subcentros.

Essas áreas empregam mais do que as demais, isso resulta em uma maior mobilidade e atividade em seus espaços. Isso inclui os trabalhadores que residem nas periferias e que precisam se deslocar para trabalharem.

Em contrapartida, nas bordas das cidades, o crescimento desordenado dos baixos periféricos cresce. Também aumenta o número de favelas e das casas em áreas irregulares.

As pessoas que moram nessas regiões têm baixos salários e que não têm outra opção a não ser morar em locais com pouca infraestrutura, o que caracteriza a segregação urbana.

Tipos de segregação urbana

Existem dois tipos de segregação socioespacial. A 1ª é a segregação involuntária, que ocorre de forma não planejada. Sendo assim, ela é resultado das condições sociais e econômicas.

O outro tipo é a segregação voluntária, também conhecida como autossegregação. Em resumo, neste tipo os grupos de alta renda buscam se afastar das cidades cheias.

Dessa forma, eles passam a morar em locais mais ou menos isolados, normalmente em grandes condomínios residenciais de luxo.

Exemplos de segregação socioespacial

Alguns exemplos de segregação socioespacial são:

1- Morumbi e Paraisópolis, em São Paulo

Um bom exemplo de segregação é entre o Morumbi e Paraisópolis. Em resumo, Paraisópolis surgiu como um espaço voltado para moradias de alto padrão.

Contudo, a partir de 1950, migrantes que chegavam em São Paulo passaram a ocupar a região. Atualmente, ela é a maior favela de São Paulo.

Desse modo, 75% das pessoas não têm acesso a rede de esgoto, apenas metade das ruas são asfaltadas e 60% das casas têm energia elétrica de modo irregular.

Já o Morumbi é um bairro vizinho de Paraisópolis. No entanto, trata-se de um local com vários condomínios de luxo.

A título de comparação, na favela existem mil habitantes por hectare e no Morumbi, 30 habitantes por hectare.

3- Expectativa de vida em Curitiba

Outro exemplo de segregação urbana é a expectativa de vida em Curitiba. Em resumo, um estudo analisou os dados ao longo de dez anos e fez uma lista.

Em 1º lugar, o bairro Água Verde tem um Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 0,956 e expectativa de vida de 81 anos.

Contudo, os resultados são bem diferentes nos bairros periféricos. Por exemplo, em locais como Cachoeira, Tatuquara, Umbará, Boqueirão e Ganchinho, o IDHM é de 0,623 e a expectativa de vida é de 69 anos.

Ou seja, a diferença de expectativa de vida entre os locais é de 12 anos.

2- PIB x IDH, no Rio de Janeiro

Por fim, outro exemplo de segregação urbana é o PIB versus IDH do Rio de Janeiro. A cidade do Rio de Janeiro responde pelo 2º maior Produto Interno Bruto (PIB) do País, sendo que, em 2019, foi de R$ 472 milhões.

Contudo, a desigualdade social torna isso um motivo de profunda desigualdade.

Um dado que comprova isso é o desenvolvimento social e humano, já que o Rio de Janeiro ocupa o 45° lugar no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil.

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Fontes: Summit mobilidade; Mundo educação; e, por fim, Brasil escola.

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