História

Segunda Revolução Industrial, o que foi? Característica e bases históricas

A segunda revolução industrial, compreende o período que vai da segunda metade do século XIX entre 1850 1870, até a guerra mundial de 1939.

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Basicamente, a segunda revolução industrial compreende o período entre a segunda metade do século XIX (1850 – 1870), até o fim da Segunda Guerra (1939 – 1945).

As características desse período são basicamente os avanços tecnológicos e da automação. Os países que fizeram parte do avanço da revolução industrial foram: Alemanha, Inglaterra, França, EUA, Itália, Japão, Rússia e Bélgica.

Contudo, outra característica que marcou esse período foi a mudança de combustíveis e de produção. Assim, nesse período, foi substituída a produção de ferro e carvão e a energia a vapor por eletricidade, aço e petróleo. Este último usado como combustível para motores de combustão que substituíram os motores a vapor.

Além disso, existem outros dois fatores que colaboraram na corrida tecnológica que resultou nesta segunda revolução industrial, a ascensão do Império Britânico como potência industrial e a consolidação do liberalismo.

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História da Segunda Revolução Industrial 

Para termos uma ideia mais consistente desta fase é preciso tomar conhecimento sobre a Primeira Revolução Industrial, onde a Inglaterra foi precursora por alguns fatores:

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  • Acúmulo de capital e grande reserva de carvão;
  • Supremacia naval inglesa desde 1651, relacionada com os atos de navegação decretado por Oliver Cromwell, que determinava o uso exclusivo de navios ingleses no transporte de mercadorias para o país;
  • Disponibilidade de recursos naturais como carvão e o algodão importado da colona dos Estados Unidos e Índia
  • Facilidade de mão de obra: a burguesia no absolutismo em aliança com a nobreza expulsaram muitos trabalhadores do campo para a produção de lã em alta escala na fabricação de tecidos, provocando grande massa de trabalhadores vindos para as cidades.
  • Disponibilidade de capital: Dinheiro provindo do aumento de consumo de produtos internos, do tráfico de escravos e do ouro brasileiro;
  • Monarquia parlamentar – a revolução gloriosa de 1688/89 deu origem à declaração dos direitos que dava supremacia do parlamento frente à monarquia.

Iluminismo

A revolução industrial é um fenômeno histórico que seguiu a uma evolução do pensamento burguês e capitalista que se fundamentou principalmente no iluminismo.

Portanto, a principal mudança do pensamento para desencadear o liberalismo frente ao absolutismo e ao poder clerical, foi o advento do pensamento iluminista. Contudo, esse pensamento tem suas raízes ainda no humanismo (XVI), o qual fundou a modernidade.

Assim, três premissas básicas foram seu alicerce: a decadência do pensamento clerical, o racionalismo como propulsor do saber e o homem como centro do universo.

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Porém, este pensamento se intensificou e teve maior atenção entre os séculos XVII e XVIII. A partir desta época, esse ideário estabeleceu e mapeou o campo teórico, sendo consolidado com a revolução francesa.

Na ciência, os nomes mais significativos são: Copérnico, Galileu e Newton e na filosofia: Locke, Montesquieu, Rousseau e René Descartes.

Positivismo

Com toda evolução do pensamento e liberalismo frente ao absolutismo, já estava plantada a semente da divisão do campo social entre o homem ligado à razão e poder, e o homem ligado ao trabalho, ação e subserviência.

Exemplo disso foi a dicotomia entre mente e corpo concebida por Descartes, o qual considerava o homem como animal-máquina se dirigindo ao corpo humano. Futuramente, essa concepção se atrelou ao positivismo, formalizando o poder e saber do lado do proprietário burguês e a ação do trabalho do lado do proletariado.

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Neste sentido, Augusto Comte como o principal representante do positivismo fundou a nova base científica para a sociologia, onde essa não pode explicar fenômenos naturais e humanos e sim organizar sistematicamente as ideias de forma hierarquizada.

Assim, ocorreu o estabelecimento da relação autoritária entre teoria e prática. Portanto, quem está do lado da prática deve obedecer, porque este não cria, não inventa e nem introduz situações novas.

Contudo, é preciso haver harmonia entre teoria e ação, quando as ações contrariarem as ideias, esse fato será considerado como desordem. Portanto, seguindo esses preceitos, o poder pertence a quem produz o saber, premissa básica da tecnocracia. A partir desse pensamento, foi estabelecido todo o arcabouço da teoria que fundamenta a revolução industrial.

Características da Segunda Revolução Industrial

A produção em massa e a automação tomaram a dianteira nesse período, fato que barateou os produtos em unidades, contudo, também causou desemprego por conta do uso cada vez mais de máquinas e esteiras mecânicas.

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As empresas de eletricidade, petrolíferas e siderúrgicas, passaram a ser as empresas que fundamentaram esta fase da revolução industrial, a partir delas e seus derivados se elaboravam toda quantidade de produtos.

Entretanto, outros tipos de produção também começaram a fazer parte do cenário industrial como as indústrias químicas, de remédios e derivados de petróleo como os produtos de plásticos, automóveis e outros.

Expansão do mercado

O aumento de ferrovias e fabricação de navios facilitou o escoamento de produtos tanto para consumo doméstico como também para exportação. Contudo, este primeiro fenômeno também causou a dependência de países não industrializados que precisavam importar todo tipo de produtos.

Porém, além da dependência, os países não industrializados foram transformados em fornecedores de matéria prima causando o efeito de neocolonialismo. Assim, os países que sofreram mais estes efeitos foram os países da América Latina, África, Ásia e Oceania.

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Neste sentido, na África esse efeito foi mais devastador e teve a suas causas na Conferência de Berlim, entre 1884 e 1845, na qual foi decidido a repartição do continente africano entre algumas repúblicas europeias.

Taylorismo e fordismo

Muitos autores da economia clássica já vinham pensando em uma estratégia de organização e controle do trabalho, mas foi Frederick Winslow Taylor que desenvolveu a ideia de gerência científica.

Neste sentido, esse autor propôs uma gerência que criasse, por meio de métodos de experimentação do trabalho, um padrão de regras e maneiras na execução do trabalho.

Segunda Revolução Industrial, o que é? Características, bases históricas e filosóficas
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Portanto, esses métodos visavam à otimização da relação entre tempo e movimento. Contudo, este método representativo da segunda revolução industrial se baseava na formação de uma gerência capaz de pré-planejar e pré-calcular todos os elementos do processo de trabalho.

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Por outro lado, o fordismo se caracterizou pela racionalização do trabalho, visando maiores lucros em menos tempo. Neste sentido, a grande novidade técnica foi a introdução da esteira rolante, que ao fazer o trabalho chegar ao trabalhador numa posição fixa, conseguiu muitos ganhos de produtividade.

Fordismo e o novo operário

Com o fordismo, nasceu um novo conceito de operário, que Gramsci denominou de operário-massa e seu novo modo de vida de americanismo.

Assim, destas transformações, surgiu uma intensa automatização e mecanização do processo de trabalho. Porém, esse modo era extenuante para o trabalhador exigindo muito consumo de força de trabalho e isso resultava em um nível de rotatividade nas fábricas Ford, que não havia em outras indústrias.

O aprimoramento das técnicas e novos meios de produção, a substituição por máquinas e processos automatizados, correias transportadoras fizeram nascer o conceito da maquinofatura.

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Contudo, nesse sistema, o processo de fabricação era cada vez mais especializado, cada operário tinha uma estrita função em um determinado ponto da linha de montagem geral.

Crescimento industrial

O crescimento industrial se deu de forma exponencial resultando em muito excedente para o consumo. Portanto, a partir dessa situação os mercados e países desenvolvidos tiveram que procurar outros consumidores em outros países, pelo fato de não ter consumidores para todo o excedente.

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Além disso, esses outros lugares deveriam fornecer mais matéria-prima para a fabricação e também uma força de trabalho mais barata. A partir dessa situação se estabeleceu, cada vez mais, um imperialismo pautado no neocolonialismo, onde países do chamado “terceiro mundo” poderiam oferecer matéria-prima, mão de obra barata (por meio das empresas multinacionais filiais) e um novo mercado consumidor.

No entanto, para que se desse a aceitação universal pelas nações subjugadas por esse regime, era preciso estabelecer um sistema de dominação cultural política e econômica. Assim, como consequência desse estado de coisas, criou-se os monopólios, concentração de capital e desvalorização crescente da mão de obra.

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Além disso, como consequência da industrialização de dependência e subordinação em países do terceiro mundo, se deu o êxodo rural em larga escala, principalmente no Brasil, resultando em centros urbanos inchados populacionalmente, e grandes cinturões de pobreza em torno das grandes cidades. A propósito, da concentração de renda surgiram os grandes oligopólios, holding, trustes e cartéis.

Principais invenções na segunda revolução industrial

  • Ferramentas de aço;
  • Construções de prédios e pontes com aço;
  • Lâmpada incandescente;
  • Automóvel;
  • Avião;
  • Telegrafo e Telefone;
  • Televisão e cinema;
  • Produtos de plásticos derivado do petróleo;
  • Metralhadoras e canhão;
  • Descoberta da nitroglicerina como explosivo;
  • Antibióticos, vacinas e novas técnicas médico-cirúrgicas.

Brasil e as revoluções industriais

A fase mais marcante da revolução do Brasil foi em 1930 com a crise do ciclo do café. A partir dessa data, o Brasil começou a sair de um quadro de total dependência com os países desenvolvidos, onde tinha que importar praticamente todos os produtos industrializados.

No entanto, o Brasil sempre foi um fornecedor de commodities para setores industriais de outros países e até hoje existe essa deficiência no campo industrial.

Contudo, a partir de 1930, na Era Vargas, foi valorizado no Brasil a extração de petróleo e a siderurgia. Entretanto, Getúlio Vargas sofreu muitas pressões tanto internas como externas, especificamente de setores industriais norte-americanos, contra a nacionalização e o desenvolvimento de indústrias plenamente brasileiras.

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Por fim, este fato fez com que o Brasil continuasse em seu perfil de dependência industrial, nunca se tornando uma verdadeira potência industrial.

Gostou da matéria? Se gostou, leia também: Fordismo, o que foi? Origem, características e declínio

Fontes: Brasil Escola, Toda Matéria, Mundo Educação, Escolakids

Imagens: Escola Educação, Mensagem com amor, TG Poli, Tête-à-Tête, Guia Estudo

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