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Arte grega – Surgimento, representações e características

A arte grega foi fundamental para aprimorar e influenciar os conceitos de arquitetura, escultura, teatro e pintura que sobrevivem até hoje

Arte grega: surgimento, representações e características

O que é arte para você? Esse é um conceito muito subjetivo e difícil de ser mensurado devido às diversas manifestações artísticas que permeiam a sociedade desde a Antiguidade, como a arte rupestre e a arte grega.

Naquela época, as pinturas rupestres, feitas nas paredes das cavernas, eram o exemplo mais simples de expressão artística. De lá para cá, muitas sociedades trouxeram à tona conceitos fundamentais para o que entendemos hoje sobre o que é arte, mas nada se compara a influência da arte grega sobre a civilização mundial.

No entendimento de alguns, por exemplo, o rap e o funk são manifestações culturais importantes em uma comunidade, enquanto para outros esse conceito é aplicado a escultura e a música clássica. Contudo, há um entendimento que sempre permanece: o primor pela estética e beleza das obras, definições que surgiram na Grécia.

Sendo assim, entenda abaixo quais foram os principais períodos artísticos da sociedade grega, quando eles se estabeleceram e quais as áreas fundamentais para o reconhecimento da Grécia como berço da civilização ocidental.

Quando e como a arte grega se estabeleceu?

A arte grega dedicava especial atenção à valorização do homem enquanto ser mais importante. A prioridade era reconhecer o ser humano em sua perfeição, por isso, em setores como escultura e pintura, as obras deveriam ser feitas com base em sua imagem e semelhança.

Dessa forma, os deuses gregos, segundo as tradições, possuíam defeitos e qualidades assim como o homem, que possuía a “medida de todas as coisas”.

Arte grega: surgimento, representações e características
Segredos do Mundo

Inicialmente, havia um reconhecimento da arte grega em outras civilizações como Egito e Síria. Contudo, com o passar do tempo, os gregos passaram a construir sua própria identidade artística.

Logo, os períodos da arte grega foram divididos em quatro segundo sua evolução.  São eles: o Período Geométrico (século VIII e IX a.C), Período Arcaico (século VI e VII a.C), Período Clássico (século IV e V a.C) e Período Helenístico (século II e III a.C).

Em comum, todos os períodos possuem como características da arte a simbologia da perfeição como ideal, a simetria, valorização do ser humano e a utilização de modelos vivos para a construção das obras.

Esses conceitos são facilmente identificáveis em obras como Vênus de Milo, escultura que representa Afrodite, a deusa do amor e da beleza. Os princípios defendidos eram os da filosofia grega.

Escultura na arte grega

É representada pelos períodos Arcaico, Clássico e Helenístico. Esse tipo de arte grega é mundialmente reconhecido pela perfeição de seu material, seja na riqueza de detalhes ou no acabamento das obras.

Nesse sentido, predominava o antropomorfismo, isto é, o uso de figuras humanas nas esculturas. Inicialmente, esse estilo era mais rígido, sem expressões faciais ou movimentos corporais.

Todavia, a partir do Período Clássico, houve mudanças no material utilizado – mármore por bronze – assim como na retratação de sentimentos e formas corporais que destacavam os movimentos e a beleza natural das obras (surgiu o nu feminino como expressão).

História das Artes Visuais

Entretanto, o avanço maior ocorreu no Período Helenístico. Durante esse tempo, as esculturas passaram a contar com grupos de pessoas que representassem cenas comuns ao cotidiano da Grécia, tais como desfiles e lutas públicas. Eram valorizados sentimentos como drama e tristeza, em contraponto a ausência de leveza.

Entre alguns de seus principais escultores, estão Fídias, Praxíteles e Miron.

Arquitetura na arte grega

Nessa área, o destaque eram os templos gregos. Eles eram construídos com o objetivo de proteger as esculturas das ações do tempo e reverenciar os deuses. O mármore e o calcário eram alguns dos materiais utilizados, bem como a madeira e a pedra.

Apesar disso, o reconhecimento maior desse tipo de arte grega ficava pelo uso da simetria e dos estilos de alinhamento entre as colunas, que possuíam diferentes formatos. Eram eles os modelos da ordem dórica, jônica e coríntia.

Em síntese, a ordem dórica buscava simbolizar a imponência, simplicidade e solidez da cultura grega. Quanto às colunas, as desse estilo não possuíam base e uma extremidade superior curva, denominada capitel.

Em seguida, a ordem jônica contava com colunas em que ambas as extremidades – inferiores e superiores – davam voltas. Ademais, ela se opunha ao conceito anterior. Enquanto essa simbolizava a leveza, encanto e feminilidade, a anterior era mais rústica e masculina.

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Por último, a ordem coríntia primava pela rica decoração e variedade dos detalhes. Esse estilo era a versão mais robusta da ordem dórica, esbanjando luxo.

O destaque dado às colunas representavam a dedicação dos gregos na construção dos templos, extremamente simétricos e proporcionais. Em sua maioria, eles eram públicos e são conservados até hoje como parte do patrimônio do país e para fins turísticos.

Desse modo, para o aprimoramento da arquitetura presente na arte grega, foram necessários a utilização de conhecimentos matemáticos, que já estavam sendo aprimorados e utilizados na Grécia e em outras regiões.

Entre os principais artistas dessa arte grega, estiveram Ictinos e Calícrates. De maneira idêntica, alguns dos templos mais famosos são o Parthenon (considerado pináculo da ordem dórica), O Grande Teatro de Epidauro (com acomodação de 14 mil pessoas) e Templo de Hefesto (dedicado ao deus do artesanato, fogo e metalurgia).

O teatro grego

Não poderíamos detalhar a arte grega sem mencionar o teatro. Essa área é uma das mais soberanas na Grécia e deu início a dramaturgia com base em dois conceitos fundamentais até hoje: a tragédia e a comédia.

Seu desenvolvimento teve início entre 550 a.C e 220 a.C, em Atenas, cidade considerada o berço da democracia grega e epicentro cultural e artístico da Antiguidade. Inicialmente, era um espaço em homenagem a Dionísio, o deus do vinho e da fertilidade. Em sua homenagem, eram realizadas danças e peças.

Arteref

Acerca do espaço, eles eram públicos, abertos e separados em prol do aproveitamento do espetáculo. A ideia era que todo o público presente no local pudesse usufruir das manifestações.

A divisão era a seguinte: a cena (skené) era feita para os atores, a orquestra (konistra) destinada às apresentações e a arquibancada (koilon) destinada ao público ou espectadores.

Se, inicialmente, a inexperiência tornava a atividade mais amadora, com o tempo a encenação passou a ser mais bem desenvolvida, inclusive com o uso de máscaras, entonação de voz e linguagem corporal adequadas a cada situação.

A tragédia abordava histórias místicas e religiosas e a comédia promovia críticas a governantes, além de apresentar temas mais leves. Essas duas formas impactaram diretamente não só o teatro como também outros gêneros comunicativos semelhantes como o cinema e a televisão.

Um exemplo foi o Odeon de Herodes Atticus, teatro localizado em Acrópole, Atenas. Comportou espetáculos musicais e possuía capacidade de 5 mil pessoas.

A pintura

Por outro lado, a pintura também primava pela simetria, distribuição do espaço e harmonia entre formas geométricas e personagens retratados. Já enquanto as cores, sobre o fundo negro ou branco eram desenhadas figuras vermelhas e douradas, e sobre o fundo vermelho as figuras eram desenhadas na cor preta.

Ademais, o material base utilizado era a cerâmica, manuseada em forma de vaso. Por sua vez, esses eram utilizados em cerimônias religiosas e para armazenar bebidas e especiarias.

Arte grega: surgimento, representações e características
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Cada formato possuía uma finalidade. A hidra, por exemplo, servia para recolher água das fontes, por isso possuía três asas. Já a cratera continha o desenho de um sino invertido e servia para misturar água e vinho.

De acordo com os temas retratados nessa representação da arte grega, os que mais eram abordados eram atividades cotidianas (como pessoas cuidando de animais ou desempenhando alguma atividade) e aspectos mitológicos.

A arte greco-romana

Enquanto no início a arte grega se assemelhava às outras formas de arte, como a egípcia e a síria, seu aprimoramento e aspectos de perfeição foram reconhecidos no mundo todo e despertaram a atenção de povos como os romanos.

Esses se inspiraram na arte grega após a dominação do território por Alexandre o Grande no século IV a.C. Entre suas características, estão o culto pelo realismo, o uso de cores vivas e a grandiosidade dos templos religiosos.

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Por conseguinte, entre os artistas destacaram-se Lísipo, autor de Hermes atando as sandálias, e Míron, criador de Discóbolo.

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Fontes: Educa mais Brasil, História das Artes, Toda Matéria, Info Escola, Conhecimento Científico, História Antiga, Sua Pesquisa

Imagens: Arteref, Segredos do Mundo, História das Artes Visuais, Enciclopédia Global, Dreamstime,,Art Studio, Portal de Camaquã.

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