Revoluções burguesas – Surgimento, influências e principais movimentos

As revoluções burguesas foram movimentos liderados pela burguesia e que possuíam fins econômicos e religiosos se comparado ao absolutismo.

As revoluções burguesas colocaram em antagonismo duas forças que surgiram, sobretudo na Europa, no período pós-feudalismo: a burguesia e a monarquia. Esses levantes populares tinham como objetivo combater os interesses particulares das monarquias absolutistas, que instituíram o poder sobre as classes e o sistema econômico local.

Nesse sentido, as principais revoluções burguesas que eclodiram na Europa foram a Revolução Inglesa e a Revolução Francesa, nos séculos XVII e XVIII respectivamente.

Entenda abaixo como surgiu a burguesia, quais foram as principais motivações para a efetivação das revoluções e características dessas mobilizações.

Como surgiram as revoluções burguesas?

A burguesia foi uma nova classe social que surgiu na Europa em meados do século XVII e se baseava no modelo mercantilista de compra e venda comercial, expansão dos impostos e busca pelo lucro.

Revoluções burguesas: surgimento, motivações e principais movimentos
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Burguesia deriva de burgo, isto é, pequenas cidades que surgiam na Europa a partir do século XV e que eram reconhecidas pela troca, compra e venda de produtos e pela ascensão dos comércios e feiras.

Foi a partir da ascensão da burguesia que se originou a lógica capitalista utilizada até hoje na maioria dos países ao redor do mundo. Surgiu, então, conceitos como capital (excedente), direito à propriedade privada e livre comércio.

Em outras palavras, foram as revoluções burguesas que fizeram prosperar ideias republicanas e de teor racional, a partir da concepção de que a razão humana era a principal responsável pela resolução dos conflitos e não mais a igreja.

A consolidação do absolutismo

As monarquias absolutistas marcaram a transição entre Idade Média e Idade Moderna, sendo marcadas pela centralidade do poder nas mãos de um governante (o rei); o reconhecimento dos privilégios da nobreza, classe detentora de poder e terras (resquício do feudalismo); a influência da Igreja Católica; entre outras características.

Revoluções burguesas: surgimento, motivações e principais movimentos
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Vale ressaltar, entretanto, que durante muito tempo, os interesses da nobreza e da burguesia estiveram alinhados. Inicialmente, ambas as instituições tinham interesse na consolidação da unidade político-administrativa dos estados monárquicos, por meio dos processos de unificação da moeda e padronização dos impostos.

Ademais, era de igual interesse da corte que houvesse a prosperidade do comércio, o que aumentaria os lucros e garantiria a cobrança de impostos mais atrativos.

Contudo, a popularização das ideias iluministas, que defendia a liberdade e a luta por direitos individuais, atrelada à indignação referentes a questões religiosas, sociais e econômicas, deram origem aos movimentos revolucionários que ficaram marcados na história da humanidade.

Principais Revoluções burguesas

Entre as revoluções burguesas mais influentes, estão a Revolução Inglesa – Puritana e Gloriosa – e a Revolução Francesa. Conheça agora cada uma delas:

Revolução Puritana ou Guerra Civil Inglesa

Essa revolução burguesa ocorreu na Inglaterra a partir da Dinastia Stuart, que imperou na Inglaterra a partir de 1603 e durou mais de um século. Ela marcou a transição entre Absolutismo e Liberalismo Burguês.

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Seu primeiro governante foi Carlos I, que teve seu mandato marcado pelo conflito entre burguesia e absolutistas. Posteriormente, foi sucedido por James I, seu filho.

O principal conflito, que se arrastou por várias décadas, era a contraposição dos burgueses – que compunham o Parlamento britânico – à imposição real em defesa do catolicismo, ao passo que a maior parte da classe era adepta ao puritanismo. De maneira idêntica, eles lutavam por mais espaço político.

Esse conceito era conhecido como Teoria do Direito Divino e defendia a concepção monárquica de que o rei era o enviado de Deus para governar sobre os homens e que, portanto, era superior às leis.

Em seguida, com o governo de Charles I, a imposição religiosa foi ampliada, a partir da dissolução do parlamento e da imposição de duas resoluções de caráter religioso e econômico.

A segunda fase dessa, que é uma das principais revoluções burguesas da Europa, ocorreu a partir de 1688 e marcou o fim do absolutismo inglês.

Revolução Gloriosa

O governo de Jaime II, que assumiu a Inglaterra em 1685, foi reconhecido pela imposição de ideais catolicistas em meio a um país que continha vários fiéis da religião protestante.

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Ele atribuía ao protestantismo a concepção de religião falsa e usou sua posição política para nomear outros representantes católicos. Esse preconceito religioso colocou em xeque essa crença.

Contudo, o poder logo seria destruído por parentes do próprio rei. O sobrinho Guilherme Orange e sua esposa Maria eram protestantes e uniram-se à similares para derrubar o rei, na Batalha de Boyne, em 1690.

Dessa forma, Jaime II se exilou na França e abriu espaço para a coroação de Guilherme e Maria como novos reis da Inglaterra e da Escócia.

Por conseguinte, nascia um novo modo de governar – a monarquia parlamentar – que foi lembrada pela aprovação da Declaração dos Direitos ou Bills of Rights – que reconheceu o poder do Parlamento e barrou qualquer privilégio a católicos no governo.

Revolução Francesa

Todavia, a revolução burguesa mais importante e conhecida foi a Francesa, que ocorreu mais de cem anos após a Revolução Inglesa.

Ela foi motivada pela precariedade econômica instaurada na França, que ainda vivia o sistema feudal, ao contrário da Inglaterra, que já caminhava a largos passos rumo à industrialização.

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Tal situação provocou miséria, fome e desemprego, o que ascendeu a crise institucional. Sendo assim, a partir de 1789, com a convocação da Assembleia Nacional Constituinte, teve início o movimento revolucionário.

Nesse sentido, os burgueses fizeram parte como membros dos Estados Gerais, junto a outros grupos como a nobreza e o clero. Prosperaram, portanto, os ideais iluministas em defesa da igualdade, liberdade e fraternidade do homem.

Tais conceitos foram primordiais para a aprovação da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, documento fundamental para a consolidação de regimes republicanos democráticos nos séculos posteriores.

O enfraquecimento do poder do rei resultou, em 1792, na condenação de Luís XVI à morte e na proclamação da República francesa.

E aí, gostou de conhecer mais sobre a história das revoluções burguesas, que eclodiram na queda dos regimes absolutistas? Então, confira também o que é Absolutismo.

Fontes: Prepara Enem, Infoescola, Toda Matéria, Infoescola, Brasil EscolaToda Matéria, Brasil Escola, Toda Matéria.

Imagens: Renova Mídia, Estado de Minas, Prepara Enem, Learn Religions, Aula Zen, Constelar.

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